Volta à normalidade


No fatídico sábado, 6 de abril de 1994, Samuel e a família se esconderam dentro do Hospital Mugonero. Após os assassinatos na igreja, a turba se dirigiu ao hospital e matou todos que apareciam pelo caminho. Eles entraram no hospital e foram a todos os quartos, usando, algumas vezes, armas ou machados; outras vezes; atirando granadas.

À semelhança de Samuel, muitos dos sobreviventes se esconderam sob os corpos dos parentes e fingiram estar mortos. Ele ficou nessa posição até as 13 horas do dia seguinte, quando conseguiu se arrastar e se esconder em outro local.

“Sabemos que devemos nossa sobrevivência à graça de Deus, porque a matança continuou durante três meses”, disse Samuel.

Samuel faz parte da pequena comunidade de sobreviventes do complexo de Mugonero, e admite que lidar com esse trauma não tem sido fácil. No entanto, ele percebeu que a vida continua, e se colocou “nas mãos de Deus”.

De acordo com ele e outros sobreviventes, o novo governo de Ruanda tem sido fundamental para o processo de superação. Em vez de incentivar a vingança, os líderes governamentais oferecem perdão a muitos dos que cometeram aqueles crimes. Outras pessoas que foram instrumentos para conduzir os massacres foram julgadas e condenadas por genocídio e crimes contra a humanidade.

Mugonero

O Hospital Mugonero voltou a ser um lugar de cura, oferecendo à comunidade uma variedade de serviços, como conscientização e tratamento de HIV-AIDS, medicina interna, cirurgia geral, cuidado para mães e filhos, programas preventivos e de vigilância da malária, tuberculose, nutrição, saúde mental, testes laboratoriais, radiologia e serviço de capelania.

Samuel trabalha como motorista de ambulância. O hospital administra seis centros de saúde nas redondezas. Ele é responsável por transportar aqueles que necessitam de cuidados especiais.

Em parceria com a Universidade Adventista da África Central (AUCA) em Kigali, uma escola de enfermagem foi reinstituída no outono de 2015. Para os sobreviventes do genocídio, essa é uma parte do processo de cura.

“Antes do genocídio, a colina [complexo de Mugonero] era bem desenvolvida”, conta Samuel. “O hospital era muito avançado; a escola de enfermagem era muito boa. Minha esperança é que este lugar seja restaurado e melhor do que era antes. Quero agradecer às pessoas que enviaram ofertas para que pudéssemos reinstalar a escola de enfermagem. Agradecemos pela oferta missionária que será destinada à AUCA. A vida está voltando ao normal.”

Cuidado médico

De acordo com o Dr. Feseha Tsegaye, diretor de Saúde para a Divisão Centro-Leste Africana, há uma extrema escassez de profissionais de saúde na África Oriental. Ele afirma que “a África Subsaariana precisa de cerca de um milhão de profissionais de saúde para oferecer e manter um atendimento de qualidade. Esse é o motivo que leva à necessidade de uma escola de medicina na AUCA”.

Enquanto a Organização Mundial de Saúde recomenda um médico para cada oito mil pessoas, a média médico/paciente em Ruanda é de 1 por 20 mil, e a proporção média médico/pacientes em todo o território dessa Divisão é de 1 por 17 mil.

“Outro problema enfrentado em Ruanda e outros países da Divisão são os indicadores de saúde, como a taxa de mortalidade mães, bebês e crianças abaixo de cinco anos. Atualmente, Ruanda tem uma taxa de 500 mortes maternais para 100 mil nascidos vivos. No Sudão do Sul a taxa é de mais de duas mil mortes maternas para 100 mil nascidos vivos”, diz o Dr. Tsegaye.

Uma terceira questão é a qualificação. “Por definição”, diz o Dr. Tsegaye, “se houver médicos qualificados, o serviço será de qualidade. Se houver bom treinamento para os médicos, eles estarão qualificados e serão capazes de oferecer um serviço de qualidade. E isso melhora a saúde das mães e o bem-estar das crianças.”

Médicos missionários

Ainda de acordo com Dr. Tsegaye, a nova escola de medicina em Ruanda treinará médicos que servirão na missão da igreja adventista do sétimo dia. Os alunos não apenas receberão formação de nível superior, mas aprenderão os princípios do trabalho médico-missionário e evangelismo de saúde que ajudarão no atendimento aos pacientes, conduzindo-os a Cristo.

“No território da Divisão, temos dez hospitais e 156 clínicas e ambulatórios”, destaca o Dr. Tsegaye. “Temos missionários de outros países que trabalham nesses locais e agradecemos à igreja mundial. Mas sabemos que o número de missionários internacionais será reduzido e precisamos preencher a lacuna. Com a nova escola de medicina, treinaremos nossos jovens para que se tornem médicos missionários e supram as necessidades da nossa região.”

A nova escola médica na AUCA será uma instituição a ser administrada pela comissão executiva da Divisão Centro-Leste Africana e a diretoria da Universidade. Os graduados servirão todo o território dessa Divisão e outros lugares. Agradecemos por sua generosidade.

RESUMO MISSIONÁRIO

  • Ruanda, um dos menores países do mundo, situa-se ao norte do Burundi e entre Uganda, Tanzânia e a República Democrática do Congo.
  • É um país montanhoso, com fazendas em toda a região, mas o terreno é muito acidentado.
  • Esse é um dos únicos três países onde você pode ver o gorila da montanha.
  • A linha do equador está localizada ao norte de Ruanda, mas por causa da elevação do país, o clima se mantém temperado durante todo o ano.