Perdoando o imperdoável: parte 2


Resumo da semana passada: Depois de perder sua família durante o genocídio, o Pastor Isaac foi levado ao campo de refugiados na região norte de Ruanda. Enquanto estava lá, organizou uma igreja adventista.

Os irmãos organizaram uma comissão para a igreja e se encontravam como congregação todos os sábados. Embora fossem refugiados, quem tinha algum dinheiro continuou devolvendo dízimos e ofertas como se ainda estivesse em casa. Às vezes, as pessoas de Uganda vinham visitá-los e doavam alguma quantia e os irmãos separavam os dízimos e as ofertas. Eles guardavam o dízimo separadamente, em um local seguro para, posteriormente, devolver em Ruanda. Já as ofertas eram usadas para ajudar a tratar pessoas feridas na guerra.

Além daqueles que já eram adventistas, muitos outros adoravam conosco a cada sábado. No momento em que pudemos deixar o campo de refugiados, quatro meses depois, 300 pessoas estavam prontas para o batismo.

Após o genocídio

Em julho de 1994, o genocídio em Ruanda terminou. O pastor Isaac voltou para Kigali e descobriu que nenhuma igreja adventista estava funcionando. Então, ele percorreu toda a cidade, suplicando às pessoas que voltassem para a igreja. Lentamente, elas retornaram e ele foi convidado para ser o presidente dessa região administrativa por dois anos até que retomou o departamento de publicações da União Ruanda.

Após cinco anos, o pastor Isaac recebeu o convite mais desafiador da vida. Estaria ele disposto a servir como presidente na mesma região que incluía o complexo Mugonero, em que sua família foi assassinada?

Ele orou e decidiu ir. Seria a primeira vez que voltaria e trabalharia com as pessoas que exterminaram sua família. E, assim, quando voltou sozinho, percebeu que não sabia o que dizer, então orou: “Deus, me ajude, me dê forças e as palavras certas para dizer a essas pessoas!”

Em sua primeira noite, logo após a chegada no distrito, o pastor Isaac orou a noite inteira, clamando por orientação divina. Na parte da manhã, quando foi ao escritório, sentiu-se impressionado de uma forma incomum: “Chame todos para uma reunião”, disse uma voz a Isaac.

“Imagino que, se tivesse retornado e não chamasse as pessoas para uma reunião e não abrisse meu coração a elas, teria falhado como seu presidente de Missão. Eu estava lá para trabalhar e disse a mim mesmo que deveria fazê-lo e não poderia falhar”, recorda o pastor.

Abrindo o coração

O pastor Isaac sabia que, se não falasse com sua comunidade religiosa no início, as pessoas se sentiriam ameaçadas com sua presença. Diante disso, ele precisava abrir o coração e falar que ele não guardava rancor e que ninguém deveria temê-lo. Disse que o que tinham em comum era a obra que Jesus deixou para fazer: anunciar as boas-novas. Ele queria mostrar-lhes que o que os unia como irmãos não poderia separá-los.

Então, foi organizado um grande encontro distrital no primeiro sábado e antes da mensagem principal, Isaac abriu o coração para a congregação.

“A União [Ruanda] me enviou para anunciar as boas-novas e conduzir essa Associação”, disse. “Não quero saber quem matou minha família. E não quero que você diga que é meu amigo. Meu amigo é quem ama a Deus e quem ama Sua obra. Vamos trabalhar juntos nesse espírito.”

Ele permaneceu no cargo por três anos e foi chamado de volta a Kigali para servir como presidente da Missão Central de Ruanda Leste (agora Associação), onde serve atualmente. Louvamos ao Senhor porque nossa Associação cresceu de 65.000 membros em 2004 para mais de 110.000 irmãos adventistas.

Sem vingança

O verso favorito do pastor Isaac é João 3:16: “Deus tanto amou o mundo que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (NVI). “Se Deus não amasse todo o mundo, eu poderia sair e matar os assassinos! Mas Deus os ama e lhes dá a oportunidade de arrependimento”, explica.

Quando o pastor Isaac estava no campo de refugiados, um jornalista o entrevistou. Ele soube que o pastor havia perdido toda família e perguntou: “O que você pensa da vingança?”

Isaac pegou a Bíblia e leu Hebreus 10:30, 31: “Conhecemos Aquele que disse: ‘A Mim pertence a vingança; Eu retribuirei’; e outra vez: ‘O Senhor julgará o Seu povo. Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (NVI).

“É assustador pensar no Senhor nos pegando em flagrante!”, disse. O jornalista ficou impressionado. Ele pensou que o pastor Isaac incentivaria a vingança, mas ele mostrou uma passagem bíblica.

“Quando as pessoas dizem coisas ruins sobre os assassinos, gosto de fazê-las lembrar que temos um Deus que é muito paciente conosco. E Ele é muito paciente com todos. Ele não quer que ninguém se perca. Essa é a única coisa que pode ajudar alguém a passar por tais circunstâncias. A qualquer momento que alguém vem a Deus e pede perdão, Ele o concede. Não há pecado que Deus não possa perdoar. A morte não é algo assustador nem problemático para Deus. Ele tem a solução, mesmo nos dias atuais”, diz.

Resumo missionário

  • Uma nova escola médica está sendo criada na Universidade Adventista da África Central (AUCA) em Kigali, Ruanda.
  • Parte da oferta do décimo terceiro sábado deste trimestre ajudará a construir dormitórios e uma lanchonete na nova escola médica na AUCA.