O filho do Xamã


Muyi cresceu na Nigéria, um país bem distante da Itália, localizado no oeste africano. Ele é descendente de uma longa linhagem de xamãs (curandeiros). Seu avô e seu pai haviam sido xamãs, e ele estava na fila para ser o próximo xamã do vilarejo.

Os xamãs são pessoas muito poderosas em suas comunidades. Existe a crença de que os xamãs tenham acesso especial ao mundo espiritual e habilidade de se comunicar com os mortos. Por isso, eles são sempre procurados por pessoas em busca de cura, proteção contra os maus espíritos ou para amaldiçoar alguém.

Porém, Muyi não estava interessado em seguir os passos do pai. Além de praticar o xamanismo, o pai era polígamo. Ele tinha três esposas. Entretanto, quando o pai se casou com a terceira esposa, a mãe dele (a primeira esposa) saiu de casa e Muyi não a viu por mais de onze anos.

Sem receber amor em casa, Muyi se acostumou à vida instável de um desordeiro e, muitas vezes, meteu-se em encrencas. Certa noite, um pastor cristão se aproximou de Muyi e perguntou: “O que você está fazendo fora de casa nesta hora?” Muyi sentiu preocupação na voz do pastor e lhe contou tudo sobre o que ele estava passando.

Movido de compaixão pelo jovem, o pastor apresentou a ele um caminho melhor. Falou sobre Jesus e convidou Muyi para visitar a igreja. Muyi aceitou o convite, passou a frequentar regularmente a igreja e até se tornou membro do coral. Em pouco tempo, aceitou a Cristo como seu Salvador.

O pai de Muyi ficou feliz ao perceber que o filho não mais era um desordeiro, porém, não ficou nada satisfeito por ele haver se tornado cristão. “Era como viver em dois mundos”, diz Muyi sobre ser cristão na casa de um xamã.

Depois de certo tempo, Muyi se casou com uma jovem chamada Giory. Embora não estivesse mais na casa do pai, continuava sendo pressionado a abandonar o cristianismo e se unir às tradições familiares, tornando-se xamã. Entretanto, ele não desistiu da fé.

Pouco tempo depois, o pai faleceu. Muyi e a esposa se mudaram para a Líbia, onde ele trabalhou na construção civil e fabricação de móveis. Apesar das boas amizades feitas no país e da expectativa pelo nascimento do primeiro filho, o casal decidiu se mudar para a Itália.

A cidade escolhida foi Ragusa, na ilha da Sicília. Assim que Muyi e Giory chegaram à Itália, nasceu o bebê Joseph. Muyi começou a trabalhar em uma fábrica de móveis e por alguns anos tudo correu bem para a família. Mas, em seguida, vários trabalhadores da fábrica, incluindo Muyi, foram demitidos, e a família enfrentou tempos difíceis novamente.

Certo dia, a professora da escola primária de Joseph se aproximou de Muyi e contou que havia uma escola técnica na qual ele poderia aprender novas habilidades, incluindo a língua italiana. “Após a conclusão do curso, você receberá um certificado com o qual será mais fácil conseguir emprego”, ela disse. Muyi decidiu se matricular. As aulas de língua italiana e aulas técnicas de trabalho eram oferecidas na empresa de Giorgio Bella, um adventista do sétimo dia que queria atender às necessidades da comunidade em Ragusa (veja a história da semana passada, “Engajados na missão”).

“Graças a Deus descobri esses programas”, Muyi disse mais tarde enquanto refletia sobre sua experiência na sala de aula. “As aulas eram muito boas. Todos foram muito simpáticos. Fomos recebidos não apenas como estudantes, mas como irmãos e irmãs.”

Mesmo assim, as aulas foram um desafio. “Eles faziam o seu melhor para que aprendêssemos as matérias, incluindo o idioma italiano”, disse Muyi. “Dediquei toda a minha concentração nas aulas. Caso contrário, não teria aprendido.”

Muyi é grato pela ajuda que recebeu e está ansioso para colocar suas novas habilidades em prática. Porém, o mais importante é que sua vida mudou positivamente, graças ao amor e cuidado demonstrados pelos adventistas do sétimo dia em Ragusa.

As ofertas da Escola Sabatina ajudarão na construção de uma igreja em Ragusa. Sejamos generosos.

Resumo missionário

  • A Sicília é a maior das ilhas italianas, separada do continente pelo Estreito de Messina e rodeada pelos mares Jônico, Tirreno e Mediterrâneo.
  • Etna, o maior vulcão ativo na Europa, está localizado na costa oriental da Sicília.
  • Azeite extravirgem, laranjas vermelhas suculentas, uvas doces de Canicattì, tomates de Pachino e alcaparras de Pantelleria, figos espinhosos (figo da Índia) e azeitonas Nocellara do Vale do Belice são alguns dos excelentes produtos que distinguem a culinária da Sicília.
  • A Sicília é rica em ruínas gregas. Muitos dizem que elas superam em beleza aquelas encontradas na Grécia moderna.